Mostrando postagens com marcador Anos 60. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Anos 60. Mostrar todas as postagens

terça-feira, janeiro 14, 2025

Humble Pie: a primeira banda definida como Heavy Metal na História!

A informação pode ser chocante para muitas pessoas, mas um fato histórico não pode ser negado. Na edição de 12 de novembro de 1970 da revista Rolling Stone, o resenhista Mike Saunders (mais tarde conhecido como Metal Mike), então aos 18 anos, usou o termo Heavy Metal para descrever um gênero musical pela primeira vez na História. O disco em questão era "As Safe as Yesterday Is", lançado em agosto de 1969, debut internacional do HUMBLE PIE, que foi descrito como uma placa de chumbo caindo ao chão. Disse o periodista "aqui eles são uma bosta de banda de rock, barulhenta, não melódica, de Metal Pesado como chumbo, sem dúvida alguma com partes barulhentas e pesadas". É preciso contexto para entender o porquê de um disco que saiu em agosto de 1969 só ser resenhado em novembro do ano seguinte, mas o fato é que não tendo gostado do disco o resenhista descreveu um gênero que todos viemos a conhecer e amar. 


Talvez você nunca tenha escutado esse disco ou essa banda, mas foi numa resenha dele que surgiu o termo Heavy Metal (Metal Pesado) associado a um gênero musical.

Uma curta linha do tempo do termo Heavy Metal. 

Após uma longa pesquisa, o artigo "Estórias que confirmam: Como o Heavy Metal ganhou seu nome - um conto cauteloso", a pesquisadora Deena Weinstein (da Universidade de DePaul, em Chicago, Illinois, nos Estados Unidos) aponta a resenha de "As Safe As Yesterday is" feita por Saunders, como a primeira vez que o termo Metal Pesado foi usado para descrever um gênero musical. No documentário "Heavy: A estória do Metal", produzido pelo canal de tevê a cabo VH1 em 2007, o jornalista David Fricke, editor sênior da revista Rolling Stone, corrobora com a informação: "se algum jornalista merece crédito por difundir esse termo na música seria o 'Heavy Metal' Mike Saunders".



Foto de tela do citado documentário do VH1.

Seguindo o apresentado por Weinstein, antes de 1970 termo Metal Pesado é usado na Tabela Periódica, que todos estudamos nas aulas de Química no Ensino Médio. Ademais, também existiu também Willy Uraniano, o garoto de Metal Pesado, nos livros "The Soft Machine", "The Ticket That Exploded" e "Nova Express", publicados respectivamente em 1961, 1962 e 1964, formado a "Nova Triology" do autor William S. Burroughs.



O crítico musical Mike Saunders em 1970.

Existe uma informação incorreta na internet (e na mídia em geral) que "Willy, o garoto de Metal Pesado", aparece originalmente no livro "The Naked Lunch", publicado pelo autor William S. Burroughs em 1959. Isso faria o termo Heavy Metal ser ainda mais antigo na cultura popular. Naked Lunch foi lançado no Brasil sob o título de" Almoço Nú" e filmado pelo diretor canadense David Cronenberg (de Scanners, A Mosca, Gêmeos e muitos outros) em 1991 como "Festim e Paixões". Todavia, a socióloga Weinstein leu "The Naked Lunch" duas vezes, e ainda contatou por fax os editores de Burroughs (falecido em 1997) para se certificar que o nome Heavy Metal só aparece nos citados livros posteriores dos anos 1960. 


Ainda inédito no Brasil, foi em 1961 com "The Soft Machine" que Burroghs criou a personagem The Heavy Metal Kid.

Nos anos 1970 a personagem "Heavy Metal Kid" viria a inspirar o nome de uma banda na Inglaterra. Todavia, seguindo a linha do tempo, em julho de  1968, o STEPPENWOLF lançou o seu clássico som "Born to be Wild", que usava a expressão "Trovão de Metal Pesado (Heavy Metal Thunder)". Entretanto, a pesquisadora entrou em contato com Mars Bonfire (autor da música, vocalista da banda e irmão do baterista) que a confirmou que expressão tinha a ver com o barulho que carros e motos possantes faziam quando guiados pelo deserto da Califórnia e não com música. 


A Doutora e Professora de Sociologia Deena Weinstein com Ronnie James Dio nos anos 2000.

Weinstein, trabalhando meticulozamente em seu artigo, finaliza voltando a primazia do termo para Saunders e para o disco do HUMBLE PIE. De acordo com a autora, bandas anteriores nos finais dos anos 1960, eram descritas nas revistas Creem (1969) e Rolling Stone (1967) como sendo HEAVY ROCK. Assim foi com nomes pesados da época como CREAM, BLUE CHEER, LED ZEPPELIN e o BLACK SABBATH, que viria poucos depois. Sobre esse último, a pesquisadora coloca que seus primeiros cartazes de shows usavam simplesmente Rock para descrever a banda, que em algumas ocasiões foi considerada Prog Rock (!!!), especialmente após a turnê de 1972 com o YES pelos Estados Unidos. 


Divulgação oficial do primeiro disco do BLACK SABBATH, lançado em fevereiro de 1970 na Inglaterra e em junho do mesmo ano nos Estados Unidos; portanto depois do disco do HUMBLE PIE.

Como meio de garantir fidelidade ao artigo, Weinstein, cuja obra foca em Cultura Popular, ainda cita menções históricas a Sandy Pearlman (gerente do BLUE ÖYSTER CULT, em 1967), Barry Gifford (também resenhista da Rolling Stone, 1968), Chas Chandler (gerente do JIMI HENDRIX e baixista do THE ANIMALS, 1968) e Lester Bangs (novamente na revista Rolling Stone, fevereiro de 1970), que usaram termos semelhantes a Heavy Metal. Todavia, como bem observa o crítico musical Cris Woods (2011) as palavras "metal", "pesado" ou "metálico" foram usadas como um "adjetivo, para entender como a música soa. Isso tudo antes de ser codificado em um gênero que todos entendiam". No caso específico de Bangs, a autora especifica que esse era mais focado na cultura beat de Jack Kerouac, além de leitor assíduo de William Burroghs, não divulgando o termo Heavy Metal como fez Saunders; que acabou sendo apelidado de Heavy Metal Mike.


BLACK SABBATH em turnê estadunidense com o YES em 1972.

A segunda banda chamada de Heavy Metal foi o SIR LORD BALTIMORE, como seu debut "Kingdom Come", dezembro de 1970, resenhado por Saunders, dessa vez para a revista Creem, em maio de 1971. Seis meses após o HUMBLE PIE o crítico assinalou que o SIR LORD BALTIMORE parecia ter "dominado a maioria dos melhores truques no manual do Heavy Metal". 





Tão Seguro Quanto o Ontem É.

É muito interessante que o jovem Saunders que odiou o HUMBLE PIE acertou em cheio ao descrever o som do grupo em seu disco com nome estranho. Contudo, se você está familiarizado com os discos lançados aos fins dos anos 1960 por grupos ingleses como TEN YEARS AFTER, SPOOK TOOTH e outros, talvez o HUMBLE PIE não soe como novidade a seus ouvidos. Mais certamente, "As Safe as Yesterday Is" não é tão Heavy Metal quanto o primeiro disco do IRON MAIDEN, ou clássicos como "Sad Wings of Detiny" ou "Sin After Sin" do JUDAS PRIEST.

"As Safe as Yesterday Is" tem muitos elementos que fogem do que se convencionou chamar de Heavy Metal: tem flautas, sitar, não nega influências de folk rock e de THE ROLLIN STONES. Ainda assim, é no geral um disco pesado. Talvez até um pouco mais que o comum para a época. Uma das músicas mais lentas do disco tem uma pesada letra antirracista. O elepê vêm também com a bateria de Jerry Shirley (que mais tarde seria de grupos como WAYSTED e FASTWAY) soando como um martelo batendo no chão, o baixo de Greg Ridley (ex Spook Tooth) é ríspido e somam-se as as guitarras ardidas de Framptom e Marriott que nesse disco estão cantando são algo mais gritado que estamos acostumados a escutá-los. Indiscutivelmente, é o disco mais rápido e pesado do HUMBLE PIE e menos melódico que o esperado para os padrões da época. 



O HUMBLE PIE surgiu em janeiro de 1969, formado pelos famosos vocalistas, guitarristas e tecladistas Steve Marriott e Peter Frampton. Marriott vinha do THE SMALL FACES, assim como Frampton do THE HERD, bandas de sucesso no Rock inglês cujos compromissos impediram que o HUMBLE PIE realmente acontecesse até agosto daquele ano. No período janeiro-agorsto o quarteto já tinha composto e gravado não só "As Safe..", mas também os discos "Town and Country" (lançado em novembro de 1969)  e "Humble Pie" (nas lojas em julho de 1970).  Assim em novembro de 1970 a revista "Rolling Stone" chamou Saunders para resenhar esses três discos do HUMBLE PIE de uma única vez. Nessa época ainda era comum bandas lançarem mais de um disco por ano.



"Town and Country" é praticamente um disco acústico. Saunders o considerou entediante. Os únicos temas "pesados" são "Down Home Again", "Silver Tongue" e "Heartbeat"; sendo que somente o primeiro poderia estar em "As Safe...". O play autointitulado equilibra sons pesados (não tanto quanto "As Safe") e outros mais leves, como "Town And Country". Portanto,  ao comparar os discos, Saunders teve a sacada de perceber que o primeiro era bem mais barulhento e com menos melodia e o descreveu como uma placa de Metal Pesado feito chumbo caindo no chão. Saunders não curtiu a banda e seguiu em sua resenha, ainda sabendo que os discos soavam incríveis (!??) , eles eram "porcaria de Heavy Metal de 27° categoria ... se os HUMBLE PIE tivessem que ouvir a seus discos eles provavelmente vomitariam". O autor finaliza com um curioso conselho "fique longe desse álbum de todas as formas possíveis".


Em cima Frampton e Ridley. Abaixo Shirley e Marriott. HUMBLE PIE em 1969.

Ainda assim, o próprio autor não ficou longe do termo Heavy Metal, sendo considerado o seu principal divulgador em seus primeiros dias. Estranhamente, seis meses depois dessa resenha tripla, ele lembrou do termo a escrever sobre o SIR LORD BALTIMORE, ai já considerando o Heavy Metal como um bom gênero que passou a designar muitas bandas. Será que faltou ao HUMBLE PIE dominar os truques do manual?

Com o tempo o termo Heavy Metal pegou. Já com os adventos dos anos 1980 e da New Wave of British Heavy Metal, aquilo que começou como Heavy Metal se tornou uma infinidade de outros gêneros musicais. Isso, contudo, é assunto para outros artigos. O que importa lembrar aqui é que o nome do gênero veio de um adolescente que não gostava de HUMBLE PIE; definindo um gênero musical ao explicar os porquês.




Sites pesquisados:
Acessos em janeiro de 2025.

https://www.researchgate.net/publication/271757798_Just_So_Stories_How_Heavy_Metal_Got_Its_Name-A_Cautionary_Tale

https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/19401159.2013.846655#d1e72

https://www.youtube.com/watch?v=AR78XBi_nAE

https://en.wikipedia.org/wiki/Metal_Mike_Saunders

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=952853569522936&id=100043949058023&set=a.220416986099935

https://en.wikipedia.org/wiki/Sir_Lord_Baltimore

https://en.wikipedia.org/wiki/Deena_Weinstein

https://pt.wikipedia.org/wiki/Naked_Lunch

*

domingo, fevereiro 23, 2020

AS BANDAS DE 1968 E 1969 TÃO PESADAS QUANTO O BLACK SABBATH!!!

Em 13 de fevereiro de 1970, o BLACK SABBATH lançou seu debut auto-intitulado. Segura e indiscutivelmente o disco mais importante para a música pesada, esse LP que incluía solos de gaita, bateria e baixo, influenciou toda uma geração de bandas setentistas a tocar mais pesado, distorcido e usar temas ocultistas e proibidos pela careta moral cristã.

Sem o Black Sabbath o JUDAS PRIEST não inventaria o Heavy Metal alguns anos mais tarde? É impossível saber. O que se sabe é que NÃO OBSTANTE a mídia "especializada" (revistas, blogs, zines, rádios) apontar o BLACK SABBATH com o pai de tudo, enquanto eles registravam em disco sua estreia já existiam bandas tocando tão pesado quanto; só que elas nunca tiveram uma ínfima exposição nos meios de comunicação de que gozaram seus colegas reino-unidenses. Conheça essas bandas, saque o som deles.

O Black Sabbath é o começo de tudo ou o ROCK DISSIDENTE está viajando?



Rádio Rock Online ao vivo 24 horas por dia, sete dias por semana, rolando todas as vertentes do Rock'n'Roll, desde 2011 com sede em Taquaritinga, São Paulo.

Produtor Executivo: Gustavo Troiano.

Toda sexta-feira impar tem Rock Dissidente inédito.

Confira o tesaser dessa edição!



ROCK DISSIDENTE # 99:
Abertura - VALHALLA.

Bloco I - TASTE, THE VELVET HAZE, STONE GARDEN.

Bloco II - THE SONICS, DRAGONFLY.

Bloco III - Destaque Dissidente - TROPA DE SHOCK.

Bloco IV - ZEPHYR, ARZACHEL.

Fundos - JACULA, THE 31 FLAVORS, BRAIN POLICE.

Fechamento - TEN YEARS AFTER

Gravado no estúdio "Casa da Rua do Beco", em Varginha, Minas Gerais, para todo universo conhecido, eternidade e além!

Produção, Roteiro, Seleção Musical e Locução: Willba Dissidente.
Produção Executiva: Gustavo Troiano.



SE VOCÊ LEU ATÉ AQUI CURTA NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK!!!!
SIGA @Rock_Dissidente NO INSTAGRAM!!!

*


Sites Relacionados:


segunda-feira, abril 04, 2016

The Byrds: o começo da psicodelia no Rock'n'Roll.

MARÇO DE 2016: 50 ANOS DO NASCIMENTO DA PSICODELIA.

Tradução do espanhol feita por Willba Dissidente para o texto escrito pelo guitarrista madrileño Salvador Dominguez; membro original das bandas oitentistas BANZAI e TARZEN, artista solo e autor de livros, além de ter carreira como músico profissional desde princípios dos anos 1970.

1- THE BYRDS.
Single: "Eight Miles High" / "Why" (Columbia, 4-43578), produzido por Allen Stanton. Publicado em março de 1966.

Jim McGuinn (guitarra/voz)
David Crosby (guitarra/voz)
Gene Clark (voz/percussão)
Chris Hillman (baixo)
Michael Clarke (bateria)

Durante o outono californiano de 1965, alguns componentes do THE BYRDS frequentaram a mansão que os THE BEATLES tinham alugada em Beverly Hills, onde se organizavam divertidas noitadas, em que música, drinks, maconha e algumas pílulas lisérgicas chamada Sandoz se intercalavam.



Em uma daquelas "festas" - na qual John Lennon deu uns murros no ator Peter Fonda por esse ter ficado falando da morte no meio de uma viagem de ácido -, George Harrison compôs "If I Needed Someone" (publicada no disco "Rubber Soul", em dezembro de 1965), em cuja estrutura se iniciou, segundo o próprio beatle admitiu, dos acordes sustenidos que os THE BYRDS empregavam em suas canções.



Estes, por sua vez, haviam descoberto as possibilidades sonoras de uma guitarra Rickenbacker de doze cordas ao escutar o próprio Harrison no filme "A Hard Day's Night" (que estreou em 10 de julho de 1964). Distintos processos de osmose? Parece que sim.

A questão é que, em começos de 1966, os THE BYRDS viriam a obter um sucesso estrondoso com seus primeiros LP's para a Columbia / CBS: "Mr. Tambourine Man" (junho de 1965) e "Turn, Turn, Turn" (dezembro de 1965) - produzidos por Terry Melcher -, que junto ao single "Like a Rolling Stone" e o álbum "Highway 61 Revisited" (publicados em julho e agosto de 1965, respectivamente) de BOB DYLAN, haviam galvanizado e capitalizado esse novo gênero musical batizado como "Folk Rock".

Eram os dias em que a música, e o Rock, evoluíam constantemente. Não havia trégua ou rendição. E aquelas "festas" em Beverly Hills pareceram brindar aos THE BYRDS o sentido necessário para escrever "Eight Miles High"; um dos melhores e mais inovadores temas dos anos 1960, em que se combinaram as escalas próprias do saxofonista e gênio do jazz JOHN COLTRANE, com ragás indianas, harmonias vocais intrincadas e textos abertamente surrealistas...



"Oito milhas de altura você é tocado, você percebe que é mais estranho que conhecido,
Placas na cidade que dizem onde você está indo, estão em outro lugar sendo elas mesmas.

"Em lugar algum há calor para ser encontrado, entre aqueles com medo de perderem sua razão,
Chove cinzento na cidade conhecida por seu som, em lugares de rostos desacoplados.

"Em volta dos quarteirões lotados de chuvas, alguns sorrido, outros se tornam formas sem molde,
Cenas das calçadas e limousines pretas, alguns vivendo, alguns ficando sozinhos".

(David Crosby, Jim McGuinn, Gene Clark / Tickson Music Co., 1966)

No entanto, e pese a qualidade do 'produto', a canção foi vetada por disc-jockeys, cadeias de rádio e críticos musicais estadunidenses, ao considerar o título "Oito Milhas de Altura", uma apologia das drogas, embora tal elogio apareça em parte alguma da letra.



Ao que o grupo se referia sim, era uma viagem de avião - que fizeram à Inglaterra - à seis milhas de altura, cifra que mudaram a oito, para ser mais apropriada para vocalizar em três harmonias.

Este single, que tive a sorte de ver na vitrine de uma loja de discos na zona estadunidense do canal do Panamá e comprar de imediato pelo preço de um dólar, seria a última gravação de Gene Clark com o grupo.

Salvador Dominguez em 1966, à época com treze anos, no canal do Panamá.
Sua saída, figura nos anais das trívias do Rock'n'Roll, principalmente pelo motivo alegado, que não era nenhum outro, que seu pânico - ou fobia - de voar de avião.

"Eight Miles High" é considerada por musicólogos mais sérios como um dos dois temas que deram a ignição de largada à Psicodelia. O outro tema foi "Shapes Of Things", dos THE YARDBIRDS, single que também comprei naquela bendita loja dos discos na Zona do Canal e da qual falaremos também pretty soon...




Visite Salvador Dominguez em:

http://www.salvador-dominguez.com/
http://salvadordominguez.blogspot.com/
https://twitter.com/wildguitar_
http://www.facebook.com/salvadordominguezoficial

sábado, janeiro 24, 2015

Satanismo e Sexo: mensagens subliminares em capas de discos de Metal / Rock.

É fato consumado e provado no Rock Pesado a existência de mensagens subliminares em várias músicas. Ouça AO CONTRÁRIO "Still Life"do IRON MAIDEN, "Rocket" do DEF LEPPARD, "Hotel California" do EAGLES, "Song and Emotion" do TESLA e, o caso mais famoso e notório de todos "Stairway to Heaven" do LED ZEPPELIN, entre outras, no seu aparelho de vinil você e poderá identificar mensagens quase inaudíveis gravadas propositalmente. Por não poderem ser identificadas ao serem ouvidas de imediato, essas mensagens são definidas como subliminares, ou seja, "abaixo do limiar da percepção".

O homem pelado escondido na embalagem dos cigarros Camel é um dos mais famosos exemplos de mensagens subliminares.
A psicologia estuda esse fenômeno desde o final do século de XIX: sons que não podem ser captados de imediato pelo ouvido, imagens escondidas dentro de outras imagens, mas que de alguma forma as pessoas as percebem. Subliminar, portanto, é o que não é possível se entender de maneira consciente, mas que é captado pelo subconsciente; o que é diferente de subentendido (que é o sugestionado, mas não escondido).  Em 1957, o publicitário estadunidense James Vicary afirmou que essas mensagens têm poder de influenciar pessoas e num cinema de New Jersey incluiu missivas subliminares de "beba coca-cola" e "coma pipoca" durante a execução de filmes, o que ele afirmou que aumentou a venda dos referidos produtos após as sessões. Ainda que nunca tenha sido provada a eficácia de tal técnica pelos rigores da ciência, as mensagens subliminares continuam a existir e chamar a atenção.

Capa do disco "Who's Next" do THE WHO,  1971, em que fica SUBENTENDIDO que os integrantes da banda acabaram de urinar no monólito enterrado. Por não possuir uma mensagem escondida, ela não entrou em nossa listagem.
Essa matéria aborda a existência dessas mensagens em capas de discos de Rock / Metal. Mais especificamente, de nosso levantamento, quase a totalidade desse tipo de mensagem aborda ou o Sexo ou o Satanismo. Ambos são assuntos tabus em nossa sociedade e não só; em certa medida são proibidos, ocultos e famigerados. O satã é aquele que a religião e a cultura hegemônica ensinam a temer, mas que sabe-se que pode trazer grandes poderes a um alto custo; ele representa o obscuro que atrai. O sexo é o máximo do prazer que a carne pode obter, mas você não pode falar dele abertamente, ele é regulado pelo parentesco e você será ridicularizado se outros que não transam com você descobrirem o que lhe dá prazer. Tanto este como aquele representam a tentação para o que é errado, mas pode levar a júbilos de regozijo. Notou como quase todas as mensagem ao contrário das músicas citadas no primeiro parágrafo tratam do desconhecido, do que é soturno?

Conheça então as bandas que foram seduzidas pelo que é lúgubre e tenebroso e adicionaram obscuras mensagens subconscientes às capas de seus discos. A lista é organizada por ordem cronológica (e alfabética no caso de coincidências).

Pront@ para adentrar o desconhecido?

01 . THE VELVET UNDERGROUND (1968) "White Light / White Heat".




Andy Warhol é considerado como um gênio das imagens, sendo o maior protagonista do movimento Pop Art. A sua obra como pintor, empresário e cinestra é amplamente conhecida; assim como as relações que este manteve com algumas bandas de Rock, entre elas o THE VELVET UNDERGROUND. Wharol ajudava a trupe de Lou Reed com dinheiro e ideias. No segundo disco de estúdio do conjunto ele teve a ideia de ocultar na capa a sinistra e tenebrosa tatuagem que o ator Joe Spencer, que protagonizou o filme Biker Boy, de Warhol em 1967,  possuía. A imagem desse demônio que, supostamente, começou as mensagens subliminares em álbuns de Rock só pode ser vista contra uma luz branca (brincadeira com o White Light no título). Posteriormente, o LP foi lançado com outras capas, que excluíam a demoníaca aparição. Coincidentemente, após a gravação e lançamento, Warhol se afastou da banda e sua amiga Nico - que entrou por pressão do mecenas - foi expulsa.

02. GRATEFUL DEAD (1969) "Aomomoxoa".


O terceiro disco da hippie estadunidense GRATEFUL DEAD é considerado por muitos fãs como o último da era experimental do grupo. Originalmente intitulado Hurricane Country, a obra de capa do disco é tão, ou mais, famosa quanto a música que abriga. Repare que o capacete do motociclista representa a cabeça de um pênis e que os ovos que ele segura na mão representam um saco escrotal. Note que uma gosma branca subindo da cabeça fálica, entrando em contato com um sol que representa um óvulo com muitos espermatozoides em volta! Não só! ao lado, vemos um ovário com um bebe dentro e ainda há representações de mulheres nas árvores. Toda essa demonstração do ato reprodutório iniciou as referêcias ao sexo nas capas de disco de Rock.

03 . MOM'S APPLE PIE (1972) "Mom's Apple Pie".


Uma banda de Hard Rock com dez integrantes, por si só, já chamaria a atenção. Correto? Pois o grupo do vocalista Bob Fiorino ficou mais conhecida pela capa de seu debut, desenhada pelo artista Nick Caruso. Além da "mamãe" que segura a trota estar como um expressão lasciva, repare no detalhe da fatia da torta que foi cortada. Um genitália feminina com um creme branco saindo, lembrando uma ejaculação recente! Após o lançamento, outras duas capas foram feitas substituindo a vulva por uma parede de tijolos e, depois com policiais na olhando nas janelas. Por causa disso, o disco com a arte original é o mais querido entre os colecionadores.

04 . URIAH HEEP (1972) "Demons and Wizards".


Quarto disco de estúdio da banda britânica cujo nome foi inspirado em uma personagem de Charles Dickens, "Demons and Wizards" foi um marco na vitoriosa carreira do URIAH HEEP. Novamente contando com a arte fantástica de Roger Dean, o álbum que imortalizou hinos do Hard Rock como "The Wizard" e "Easy Livin'" possui uma cachoeira cuja água sai de uma abertura em formato de genitália feminina para uma pedra que estranhamente se parece demais com a cabeça de um pênis masculino. Há quem afirme que todas as pontas de pedras na capa do petrado tenham essa inspiração peniana. Diferente de algumas das capas aqui, essa nunca sofreu alteração posterior.

05 . EMERSON, LAKE AND PALMER (1973) "Brain Salad Surgery".


O quarto álbum de estúdio da instituição do Rock Progressivo inglês, que na verdade é um supergrupo, contou a impressionante arte do artista surrealista suíço H.R. Giger (mais conhecido pelo seu trabalho no filme Alien - o oitavo passageiro, de 1979). A capa que mostra uma mulher biomecânica, presa numa máquina monocromática de lobotomia, ficou famosa por ser gatefold (dupla) e quando aberta mostrar a mulher alienígena com muitas cicatrizes após a cirurgia.  Entretanto note a peculiar sombra branca que existe logo acima o logo do grupo (também criado por Giger). Há uma genitália masculina sugerida em sombras brancas.

06 . BLUE ÖYSTER CULT (1979) "Mirrors".



O quinteto nova-iorquino BLUE ÖYSTER CULT é conhecido por suas letras de ficção científica, muito cheio de temas do ocultismo e há quem a acuse de ligação com o satanismo na canção 7 Screaming Diz-Busters, do seu segundo disco "Tyranny and Mutation", de 1973. Em 1979, o grupo vinha de uma ascensão de sucessos com a trinca "Agents of Fortune", "Spectres" e "Some Enchanted Evening", que foi abruptamente cortada com o disco Mirrors. O álbum agrada os fãs do conjunto, mas falha em ser mais acessível ao público em geral, faltando "aquele hit" como "Godzilla" ou "Don't Fear The Reaper", mas tudo bem, o B.Ö.C. ainda tinha umas cartas na manga e o sucesso voltaria em breve. A menção do disco nessa lista é esse estranho espermatozoide "dançando" entre as nuvens, logo ao lado do retrovisor. Facilmente identificado na versão em vinil, quando lançado em CD, o disco recebeu linhas amarelas de moldura, tornando menor a ejaculação nos ares.

07 . WHITESNAKE (1979) "Trouble".


Após o termino do DEEP PURPLE, o vocalista David Coverdale logo tratou de começar sua carreira solo, primeiramente com um disco chamado "White Snake" que logo se tornou o nome da banda com que firmaria seu nome como um grandes cantores do Hard Blues Rock. Os três primeiros discos do novo grupo possuíam a temível cobra branca estampando a capa. Porém, no álbum "Trouble", o segundo, a língua bifurcada da cobra forma uma genitália feminina.


 Após o clássico "Read 'n' Willing" e o ao vivo "Live in the Heart of The City", a trupe de Coverdale resolveu estampar seu sétimo registro novamente com a cobra branca... e novamente incluiu um vulva se formando na tramela do animal, e dessa vez ainda de maneira mais acentuada! Depois disso, a cobra só voltou a aparecer num disco de trabalho da discografia no disco "Slide it in", mas desta vez sem conotações sexuais subliminares.

Em ambos os discos, o órgão sexual feminino faz alusão à passagem bíblica de expulsão de Adão e Eva do Paraíso por comer o fruto proibido. No disco "Trouble" a serpente está se originando de um fruto. Já no caso de "Come An'Get It" a cobra branca está dentro de uma maça de vidro (maça é a fruta que o citado casal não poderia comer) e na contra capa essa fruta está estilhaçada; teria sido mordida / comida?

08 . BLACK SABBATH (1981) "Mob Rules".


Obviamente, não seria fácil para qualquer banda no mundo perder um frontman com o carisma e os contatos de Ozzy Osbourne. Todavia, o grupo de Tony Iommi fez história ao recrutar o ex- RAINBOW Ronnie James Dio como cantor. Compositor, letrista, exímio no domínio da voz e cheio de idéias, o BLACK SABBATH voltou a crescer com "Heaven and Hell" conquistando o emergente movimento Heavy Metal. O disco seguinte seria a prova de fogo do novo velho grupo, e o "Mob Rules" arrasou consolidando ainda mais o quarteto de Hard Rock pesado e obscuro. Ainda assim, especulá-se que o grupo sentisse saudade de seu antigo cantor, ou por que sugerir o nome dele nas manjas de sangue no chão? O que, entretanto garantiu a entrada dos ingleses em nossa lista foi o demônio escondido no pano imundo de sujeira e sangue no centro da capa do LP. 


Em sua auto-biografia, o guitarrista classificou como baboseira qualquer indício de mensagem subliminar na capa do disco, que é uma adaptação da pintura "Dream One - Crucifiers", datada de 1971, do artista Greg Hildebrant, famoso por seus trabalhos nas cearas da ficção científica e da fantasia (Senhor dos Anéis) . Analisando o desenho original, realmente já parece que está escrito OZZY no chão. Como então explicar o demônio? Essa não é a única relação de DIO com o oculto.

09 . DIO (1983) "Holy Diver".



Sair de uma das principais bandas de Rock Pesado, talvez a maior no momento, seria um baque para acabar com a carreira de qualquer artista. Teria então o ex baixista e vocalista do ELF feito um pacto com o tinhoso para se manter como uma das maiores vozes de toda história do Rock? O fato é que se você inverter o logo de TODOS os disco que o baixinho lançou solo, exceto o "Dream  Evil", de 1987, poderá ver facilmente duas palavras de carga inegavelmente negativa. Acompanhe na imagem abaixo. Não é difícil ler DEVIL, ou DIABO, grafado subliminarmente no logo. Há quem afirme, todavia, que a palavra do logo invertido é DIE, ou MORTE, algo tão danoso e maléfico. Como isso foi notado ainda nos anos oitenta, o músico já se explicou várias vezes sobre o caso, sempre o classificando como "mera coincidência".
Intencional, ou não, para efeitos de classificação, a banda DIO é o conjunto com mais mensagens subliminares na estória, pois foram 20 (!!!) discos, entre trabalhos de estúdio, coletâneas e ao vivos, a utilizarem o logo duvidoso.

10 . WARRANT (1989) "Dirty, Rotten, Filthy, Stinking, Rich".
 

Não confundir com a banda alemã de Heavy / Speed Metal. Estamos aqui tratando do famoso WARRANT do saudoso Jani Lane, que antes do clássico "Cherry Pie" estreou muito bem com disco D.R.F.S.R. A capa deste bem sucedido álbum satirizava um empresário do Mercado Musical de Hollywood, interessado em sugar o lucro da vitalidade dos músicos que tivessem o desprazer de assinar contrato com ele. O que pouca gente percebeu até então é que a capa que embala os sucessos "Heaven", "Down Boys" e outros possui três imagens escondidas. A primeira delas, e mais descarada, é uma genitália masculina na bochecha direita do figura. As outras duas são encontradas mais facilmente se virando o LP ao contrário. Logo abaixo do olho direito, vemos claramente a representação de um pássaro. De acordo com o Tarô de Marselha essas aves são especiais, pois atuam como mensageiros entre esse e outro planos, muitas vezes coexistindo em ambos. Já foi afirmado que se trataria de um corvo, e não de um pássaro qualquer, que é uma ave habitualmente associada à morte, azar e solidão. Encerrando as mensagens, dentro da orelha, logo abaixo do brinco está representada uma mulher... se ela está de vestido longo ou nua é uma velha discussão, porém optamos pela segunda opção!

11 . MOTÖRHEAD (1995) "Sacrifice".



Desde que foi expulso do HAWKWIND por conta de problemas com drogas que Lemmy Kilmister tomou o nome de uma música que ele escreveu para sua antiga banda como nome do grupo que o levaria à grande fama. Com fama de durão e duro na queda, o vocalista / baixista carrega também a reputação de já ter tido relação sexual com mais de mil mulheres. Talvez, ele estivesse tão fissurado em sexo em meados dos anos 90 que resolveu alterar o clássico mascote da banda, o Snnagletooth, adicionando uma língua para o mesmo. Essa, todavia, foi desenhada no formato fálico de um pênis, com uma vagina atrás dele!

Encerramos aqui nossa viagem pelo mundo escondido da capa dos discos de Rock / Metal. Como as mensagens subliminares só podem ser captadas de maneira inconsciente, é possível que alguns leitores discordem de nossos apontamentos. Não há algo de maléfico ou contraproducente nisso, pois no mundo do Rock Pesado consensos são tão difíceis de identificar quanto mensagens intencionalmente ocultadas. Caso tenha sentido falta de algum disco, não guarde essa recomendação para seu lado mais negro e a comente abaixo!
*

Willba Dissidente agradece gentilmente a Gleice Oliveira e João Paulo, ambos da capital do Maranhão, pela ajuda.