quarta-feira, setembro 21, 2016

Dorsal Atlântica: "Fora Temer" é bonito, mas não resolve o problema.

Inspiração para gente grande como KORZUS e SEPULTURA, a DORSAL ATLÂNTICA foi fundada em 1981 sob o nome de Ness; banda que começou o movimento e a cena Metal no Rio de Janeiro. À época, Carlos Lopes já estava em idade pré-vestibular e resolveu formar um grupo de Rock Pesado, com inspiração em TED NUGENT, JUDAS PRIEST, UFO e nas bandas Punks, por causa do Atentado RioCentro (quando os militares explodiram duas bombas e culparam a esquerda para tentar implantar uma nova onda de repressão). O músico tinha como meta a conscientização popular.

Após seis álbuns de estúdio (incluindo a primeira ópera rock do Thrash Metal) e um ao vivo, a Dorsal se separou em 2001. Lopes se dedicou à produção  literária, radiofônica, jornalistíca e musical, além de criar os grupos MUSTANG e USINA LE BLOND (cujo o estilo passa longe do Thrash Metal, Punk, HxCx praticado pelo grupo que lhe rendeu maior reconhecimento). O grupo retornou em 2012 inovando por usar o crowd funding (financiamento coletivo) para lançar um disco novo, prático que se tornou corriqueira desde então.

Militante de esquerda antes até de se firmar como músico, Lopes acredita que a Esquerda, pode ser tonar Centro e Direita, "mais do mesmo" em português claro, quando é mal direcionada, mas é veemente ao afirmar que o Brasil sofreu um golpe Estado parlamentar como parte do plano estadunidense para consolidar governos de direita na América Latina.


A afirmação parece absurda para você? Justamente para esmiuçar e explicar seus pontos vistas e convicções sobre o Brasil pós-golpe que o pioneiro do Thrash Metal e mentor, compositor e responsável por um dos grupos mais influentes dentro e fora do Brasil conversou com o Rock Dissidente. Confira abaixo as respostas de Lopes... e lembre-se dessa entrevista se o congresso decidir indiretamente (SEM ELEIÇÕES) quem será o presidente da República (das bananas) brasileira em 2018.


Carlos Lopes (guitarrista e vocalista) em 2016. Foto: Divulgação.

01 . A DORSAL ATLÂNTICA voltou também por questões políticas? 

Desde que decidi "voltar" com a DORSAL ATLÂNTICA (mas continuo reticente a fazer shows) me perguntei se a banda teria relevância em um mundo diferente no qual fui inspirado a fundá-la. E aparentemente como o Metal "não muda" e o mundo também não. Lembrei-me que ainda havia uma batalha a ser vencida, a mesma do passado, que é perseverar a conscientização. Lembrei-me do por quê ter fundado a banda e fiz questão que houvesse uma razão para esse retorno em 2012 e a encontrei na política.


02 . Como o Thrash Metal é uma arte relevante ainda hoje?

Durante a campanha de crowd funding em 2012, vários pretensos apoiadores queriam que eu me copiasse e gravasse um disco estilo anos 80... Quer dizer que eu só poderia existir dentro da redoma "saudosista", "old school"? Jamais! Ou eu crio para o hoje ou nada disso faz sentido.




03 . Como a DORSAL ATLÂNTICA se insere no contexto político de hoje?

Os cds "2012" e "Imperium" falam sobre história e política mas com poesia, com dor, com imersão, com maturidade. Não são apenas trabalhos panfletários, mas humanos. Não há nada igual e preciso te confessar que não é questão de ter orgulho, mas tenho orgulho de ser tão independente.

04 .Você acredita que é possível ser apolítico dentro do Metal?

Os Black Blocks em 2013 me confirmaram o que havia escrito no cd "2012": que há o possível e o sonho. Quando vi em 2013 o discurso de jovens indo às ruas "sem partido" lá eu vi o germe da intolerância. E do fascismo. Não ter governo e pregar voto nulo não é a solução.




05 . Gostaria que não houvesse governo?

SIM. Isso é possível? NÃO!
Então que chegue ao poder a esquerda possível com erros e acertos. #ForaTemer é bonito mas não resolve a questão. O Eduardo Cunha e o PMDB continuarão com ou sem Temer, um pobre coitado, um boneco usado pelos Estados Unidos e pela Wall Street. Estamos prestes a encarar uma ditadura ou uma eleição indireta regida por um senado contaminado.

06 . Houve golpe? Por quê? Quem participou?

SIM, basta ler história do Brasil, são os mesmos motivos de sempre. Todos estão envolvidos, inclusive a esquerda. É a sede pelo poder. Se não vai na eleição vai na marra.



07 . O estado deve ser laico?

Sim, mas deve ser representativo de toda a a sociedade. Acredito na REFORMA POLÍTICA como forma de agregar os grupos que não podem ser representados atualmente.

08 . Ainda que não apoie qualquer partido político em específico, você é de esquerda. Como se classifica?  


É verdade, sigo militante de esquerda não obstante descrer nos partidos atuais. Sou Brizolista e católico de formação. Gosto da teologia da libertação. Prefiro me classificar como um seguidor de Darcy Ribeiro.



09. Terceirização e/ou privatização podem enxugar a máquina?

Não existe solução mágica. Sou a favor da intervenção estatal.

10 . Qual é o seu tipo de esquerda?

A que aceita o voto. Por exemplo: se o aborto for votado e ganhar, apoiarei mesmo sendo contra o aborto.



11 . Essa esquerda morreu no Brasil? Existe possibilidade de governabilidade sem que o PMDB seja situação? Votar nulo é uma via de solução? 

Não, felizmente.
Infelizmente, não.
Não, realmente.



12 . Qual o futuro do Brasil? Houve algo de bom em todo esse processo? 

Os próximos anos serão difíceis. Porém, hoje sei quem é quem. Estou mais maduro politicamente do que sempre estive e tive a melhor aula de história de todas ao viver este momento político que nunca imaginei viver. Nunca imaginei que a juventude fascista renascesse. Ao ler comentários de ódio sobre a moça que perdeu um olho em SP percebi que o problema não é esquerda/direita. É HUMANISTA. As pessoas perderam a ALMA, perderam o CORAÇÃO.

DORSAL ATLÂNTICA:

Carlos Lopes (Vândalo) - Guitarra e vocal
Cláudio Lopes (Cro-Magnon) - baixo
Toninho Rabicó (Hardcore) - bateria

Discografia:

1st demo (Demo, 1982)
Ultimatum (Split com o METALMORPHOSE, 1985)
Antes do Fim (Full-lenght, Lp, Cd, 1986)
Dividir e Conquistar (Full-lenght,Lp, Cd, 1988)
Victory / Dweller of the Streets (Single, 1988)
Cheap Tapes from Divide and Conquer (Ep, 1988)
Search for the Light (Full-lenght, Lp, Cd, 1989)
Musical Guide from Stellium (Full-lenght, Lp, 1992)
Alea Jacta Est (Full-lenght, Cd, 1994)
Straight (Full-lenght, Cd, 1996)
Terrorism Alive (Ao vivo, Cd, 1998)
Pelagodiscus Atlanticus (Compilação, Cd, 2002)
Ultimatum Outtakes 1982-85 (Compilação, Cd, 2002)
Antes do Fim, Depois do Fim (Regravação, Cd, 2005)
2012 (Full-lenght, Cd, 2012)
Imperium (Full-lenght, Cd, 2012)
Depois do Fim - After the End (Compilação, Cd, 2014)
Guerrilha: a trajetória do Dorsal Atlântica (Dvd, 2016)
O Retrato de Dorian Gray (Single, Cd, 2016)

Sites relacionados:

http://www.dorsalatlantica.com.br/
https://www.facebook.com/pages/Dorsal-Atl%C3%A2ntica/220011356371

3 comentários:

  1. Dorsal Atlântica uma instituição do metal nacional!!! Parabéns pela entrevista, sempre bom conhecer o posicionamento de um ícone como Carlos Lopes!

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  2. #undergroundvivo
    Hoje em dia tem muita, mas muuita gente se achando PHD em política e tals, inclusive pretensos músicos e etc..., mas quem manja mesmo do assunto pouco aparece, não fica pedindo likes nem 'olha pra mim, to falando merda pra dar ibope', nada disso, quem entende do assunto mesmo quase ninguém conhece ou ouviu.

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