sábado, junho 16, 2018

DANNY LILKER: o baixista mais emblemático do Metal Extremo!

Em seu quadro "os musicistas das mil bandas", o Canal Rock Dissidente, em sua quadragésima quinta edição dentro do Programa Combate homenageou Dan Lilker. Mais lembrado por ser baixista do NUCLEAR ASSAULT, Daniel Lilker já tocou em uma centena de bandas (ANTHRAX, AUTOPSY SOULFLY etc), formou outras tantas, indo do Thrash, HxCx, Grind, Death até o Black Metal cantando, fazendo backing vocal, teclado e bateria. Tocando seu baixo com distorção, o musicista do underground já vendeu mais de 5 milhões de discos. Vamos conhecer mais da carreira dele?

Ouça o programa todo pelo Mixcloud!



Programa Combate no ar desde 2001 pela rádio Melodia FM, 102,3 transmitindo desde Varginha para mais de cinquenta municípios. O Programa Combate passa todo domingo, das 16 às 18 horas.

No decorrer da trigésima sexta edição rolamos músicas de VENENOUS CONCEPT, S.O.D.HOLY MOSES, BRUTAL TRUTH e NUCLEAR ASSAULT.

Assista a gravação em vídeo!



Gravado em 03/06/2018 sendo disponibilizado no mesmo dia nas redes sociais uma semana depois.

NOTA DO AUTOR: Willba pega carona na canção do BRUTAL TRUTH e diz: foda-se a homofobia!

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Rock Dissidente
 no Programa Combate

Apresentação, edição de vídeo e filmagem: Willba Dissidente. 
Técnicos de Som: Gil Vicente.
Produção técnica: Ivanei Salgado.
Produção executiva: André "Detonator" Biscaro. 

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quarta-feira, junho 13, 2018

ANGRA EM VARGINHA: não foi o Roça'n'Roll, mas teve 'bão tamén'.


Varginha Rock City é como a cidade do Sul de Minas Gerais é conhecida em todo Brasil. O porquê disso é o festival Roça in Roll que ocorreu ininterruptamente desde 1999. Em 2018, pela primeira vez, o Roça 'n' Roll não aconteceu. Porém, na data que haveria o evento, o sábado do feriado emendado de Corpus Christi, Varginha recebeu aquele que seria um dos headliners do Roça nesse ano; o Conjunto Angra, num evento que contou com aberta da consagrada banda da cidade TUATHA DE DANANN e do ANEUROSE, grupo também sul-mineiro que cada vez mais tem alcançando patamares elevados com seu Groove thrash metal.


Sendo organizado pela mesma equipe do Roça'n'Roll que insistiu em divulgar que evento não era a vigésima edição do Roça, foi difícil convencer os mais de quatrocentos presentes na Status Eventos, vindo de toda Minas Gerais, interior de São Paulo, e até uma moça do Rio Grande do Norte, que naquela noite não estava acontecendo o Roça in Roll. Antes das dezoito horas já haviam "camisa pretas" em frente à casa de shows aguardando para entrar. O conjunto ANGRA, que viajou 14 horas de ônibus para fazer essa apresentação comeu o tempo da passagem de som, só terminando a regulagem de seu som (para então as outras bandas fazerem o mesmo) às 20:30 (sendo que abertura da casa seria uma hora antes). Resultado: as 21:30 quando os portões foram abertos já havia uma multidão esperando. Quinze minutos depois o ANEUROSE já estava no moendo no palco.


Conjunto ANGRA.

Com espaçoso espaço interno e área externa, banheiros limpos e bar a preço acessível, o Status evento de mostrou um local excelente para shows de Metal de grande porte. Esse evento, mais que outra data do conjunto ANGRA na tour do disco "Omni", foi um encontro de fãs de metal do Brasil todo em Varginha (como o Roça é), mas sem ser o Roça. Ainda que a barraca de espetinhos do Pernambuco estivesse lá e houvesse show do Tuatha, muitas estruturas marcantes do Roça faltavam como a Poesia de Varal, as caricaturas do desenhista Endersenhos, a exposição de quadros de Lucas Abreu (da associação de pintores que pintam com os pés e a boca) etc. Não obstante, esse evento na cidade teve o mesmo 'clima' daquele que ocorre na Fazenda Estrela. Ainda que não fosse o Roça in Roll, era como se fosse o Roça 'n'Roll com dez vezes menos público e 10 vezes menos bandas; mas nem por isso menos divertido.



ANEUROSE
Liderados pelo carismático fazedor de caretas Wallace "Wallba" Almeida, o ANEUROSE, para evitar mais atrasos, começou sua apresentação quinze minutos após a abertura dos portões. O grupo, que abandonou o uso de uniformes no palco, vem em ascensão com seu segundo disco "Juggernaut" e fez uma performance rápida e enérgica, quase sem pausas, para conseguir cumprir seu set-list no reduzido tempo que dispunham. Agitando muito no "pequeno palco (além da bateria do Angra ocupar muito espaço, haviam oito monitores e mais a bateria menor das bandas de abertura, logo, quase não havia espaço para caminhar)", o momento que o grupo comunicou com a platéia foi na canção em homenagem ao saudoso Lemmy (ex- baixista do HAWKWIND e de uma outra banda ai) pedindo mosh pitt. Foram prontamente atendidos. Final de apresentação com galera aplaudindo, pedindo mais e já adiantando o que estava por vir. Destaque para Raphael "Tchurchis" Wagner fazendo um trabalho exímio nas guitarras; em especial nos solos (que diferente da maioria dos grupos thrashers em que parece que o guitarrista faz escalas ao esmo, ele tem um excelente senso de melodia).

Assista ao mini-documentário sobre o evento:



Menos de 15 minutos de pausa e o jornalista Ivanei Salgado, da Roadie Crew, anunciou a trupe do Folk Metal TUATHA DE DANANN. O sexteto da terra do ET continua divulgando "Dawn of a new sun", seu disco de retorno, que foi muito bem recebido por crítica e fãs, além do relançamento de "The Delirium Has just Begin". Com novos membros, devidamente entrosados, no violino e na bateria, o grupo, infelizmente, fez um set menor para não atrasar o ANGRA, limando clássicos como "Bella Natura", "Us", "The Last Words", "Land of the Youth" do repertório. Aqui cabe um parenteses. Será que o ANGRA não poderia retirar sua introdução (que nem é composição deles e faz parte da trilha sonora do filme Blade Runner) para o grupo amigo tocar mais uma música? Será que se não fosse um SEPULTURA tocando antes deles , eles não o fariam? O TUATHA "foi curto e passou rápido", o que não impediu que o guitarrista, vocalista e flautista Bruno Maia apresentasse todas as músicas, inclusive frisando que a banda agora, além de sua própria marca de café, tem uma pinga personalizada. Como o bar da casa não aceitava cartão e o stand das bandas sim, inclusive, muita gente comprou e desfrutou dessa pinga durante o rolê. O fechamento foi com "Dance of Little Ones", o tema do clipe mais "tosco" que existe, que seria a abertura, demonstou que a banda goza de muita moral em casa, com a galera pedindo "mais alguns".

TUATHA DE DANANN

Meia hora para a regulagem de volumes e os falantes começam a tocar uma música do VANGELIS (?!) que foi seguida por "Nothing To Say"; o que surpreendeu os presente já que no disco "Nothing to Say", de 1996, e também no EP ao vivo,  a introdução desse som é um coral chamado "Crossing". Já que se vai usar uma intro, por que não usar a mesma do "Holy Land"? O que se seguiu foi uma apresentação centrada os discos "Secret Garden" e "Omni". Os sons mais antigos tocados, inclusive, estão todas no cd bônus ao vivo que acompanha a edição japonesa do cd de 2014. Notou-se que o público de Varginha curtiu muito mais os sons das fases André Matos e Edu Falashi que as canções da dupla citado de discos. Ainda que essa seja a cidade do incidente ufológico mais famoso do mundo, a turma aqui não é de outro mundo e muito certamente o mesmo tem se repetido todos os lugares. Talvez então o ANGRA, para ter um show que agrade mais, poderia substituir algumas das músicas do Secret Garden e talvez uma ou outra do Omni pelo seus clássicos, pois ficou óbvio quando tocou "Lisbon", "Nova Era", "Time" que essas eram as músicas que 'todo mundo' veio assistir.


Fábio Lione interagindo com a galera presente.

O Conjunto Angra, contudo, se mostrou mais animado e e contagiante nesse show que no de São Paulo realizado duas semanas antes. Além de ser um excelente vocalista, Fabio Lione (ex- RHAPSODY, ex- VISION DIVINE) fala português muito bem e se comunicou bastante com a platéia a estando as mãos com o microfone em pose semelhante a que está no cartaz do evento. As músicas novas, como "Upper Levels", "Black Widow's Web", que em estúdio foram gravadas com vocalistas convidadas em duetos com o italiano, tiveram o vocal divididos com o único membro original remanescente, o guitarrista Rafael Bittencourt. O músico ainda assumiu o papel de mestre de cerimônias apresentando seu conjunto no Bis e cantando solo em "Reaching Horizons". As línguas venenosas já dizem que num futuro próximo ele será sozinho o vocalista do ANGRA. Numa parte bem divertida ele referiu que contaram para ele do folclórico personagem "Mudinho de Varginha" e perguntou se talvez o ET de Varginha não seria resultado de terem se confundindo, arrancando muitas gargalhadas do público.

O baixista foi destaque na apresentação do conjunto ANGRA.

No meio da apresentação houve um solo do baterista que tem a idade da banda, Bruno Valverde (de novo, se o tempo era problema, não poderia ser um solo menor para os outros grupos terem uma música a mais?), que encheu os olhos e ouvidos dos presentes. No que pese a técnica desse e também do guitarrista recém-chegado Marcelo Barbosa (que tocou guitarra até com o cabelo), o destaque do evento foi o baixista Felipe Andreoli, que está no ANGRA desde saiu do grupo de PAUL DI'ANNO, e nunca antes sua virtuose explícita teve tanto espaço na banda. No show em Varginha o ANGRA ainda tocou algumas músicas não tão presentes no repertório, como "Running Alone", sendo muito bem recebida. Dos sons novos, o que mais empolgou foi "Insania", mas a casa veio abaixo mesmo na dobradinha "Carry On" e "Nova Era" que encerrou o evento.

O show do conjunto ANGRA em Varginha aconteceu ainda no período de normalização da instabilidade gerada pela crise dos combustíveis (e posterior crise de abastecimento). O evento que aconteceu quando seria o Roça ainda teve o problema da mudança de line-up (que originalmente teria o NOTURNALL e o ATTRACTHA acompanhando o ANGRA), sendo que mais de 30 pessoas compraram ingresso on-line e não puderam comparecer por falta de combustível e ainda outras tantas não encontraram leite de caixinha no mercado para fazer a doação pedida pelos organizadores.

Só o fato de ter acontecido no pior cenário possível mostra a força do underground mineiro e quanto o povo de Minas Gerais se liga em Metal. Esse tipo de evento acontecer em Varginha, uma das maiores cidades do Sul do estado´, sem ser em festival, é fundamental para os fãs de metal de diversas cidades do interior que não teriam como ir ver o ANGRA (ou um show desse porte) numa capital. Um comentário que muitos faziam durante o evento foi já aquela foi uma das semanas mais frias do ano que o lado bom do adiamento do Roça é que deveria estar nevando na Fazendo Estrela (onde o Roça acontece há mais de uma década). Ainda assim foi uma noite calor humano num mini-festival bem variado dentro do Metal (Thrash Metal, Folk Metal e Metal Melódico), que entrará para história do Rock pesado em Varginha.

ANEUROSE:





Wallace Almeida - Vocal
Sávio Chaves - Guitarra
Raphael "Tchurchis" Wagner - Guitarra
Sthefano Dias - Baixo
Kiko Ciociola - Bateria

01 . Intro / Closer to God.
02 . Butcher.
03 . Rapriest.
04 . To Lemmy.
05 . Drunk as Skunk.
06 . Deathly Cold Chill.
07 . Warrior.
08 . Enslaved.
09 . S.L.G.

TUATHA DE DANNAN:



Bruno Maia - Voz, Guitarra, Flauta, Mandolim, Banjo.
Júlio Andrade - Guitarra.
Giovanni Mendonça - Baixo.
Edgard Brito - Teclados.
Nathan Vianna - Violino.
Rafael Salobrenha - Bateria.

01 . We're Back.
02 . Believe it's true.
03 . Rhymes Aganist Mankind.
04 . Tan Pinga Ran Tan
05 . The Brave.
06 . Fingonforn
07 . Dance of the Little Ones

ANGRA:



Fabio Lione - Voz
Rafael Bittencourt - Guitarra.
Marcelo Barbosa - Guitarra.
Felipe Andreolli - Baixo.
Bruno Valverde - Bateria.


01 . Dr. Tyrrell's Death (introdução gravada).
02 . Nothing to Say.
03 . Travelers of Time
04 . Angels and Demons.
05 . Newborn Me.
06 . Time.
07 . Light of Transcendence.
08 . Running Alone.
09 . Storm of Emotions
10 . Insania
11 . Solo de Bateria.
12 . Black Widow's Web.
13 . Upper Levels.
14 . Ego Painted Gray.
15 . OMNI - Silence Inside
16 . Lisbon.
17 . Magic Mirror.

BIS

18 . Reaching Horizons.
19 . Rebrith.
20 . Carry On / Nova Era.
21 . OMNI - Infinite Nothing (fechamento gravado).

Todas as fotos desta resenha foram feitas por Matherson Saint'Yves da UAICLICK.

Willba Dissidente agradece a Édipo Felipe Lima, de Campinas / São Paulo.

Esse evento ocorreu com a ajuda e patrocínio de: Speed Life e Frutty - Studio Rock de Poços de Caldas - Pizza Rock - Via Conection Internet - Giggio Spaghetti - Elen Hanna Espaço de Danças - Programa Combate - Tribos S/A - Espaço Livre - Video Game Lojas - Rádio Clube de Varginha - Frigorífico São Francisco - Bem Saudável: culinária natural vegana e vegetariana - Blog do Madeira - W Outdoor - Tigres Bar - Filé do Guma - Braia Studios - Dom Caixote - RB Produções - Castelar Novo Hotel.

terça-feira, junho 12, 2018

BOLSONARO: ele só será Metal quando Pentagrama virar Estrela de Davi.

Por um underground político, contrário ao conservadorismo e apartidário.

É bem possível que você já tenha ouvido uma frase dizendo que metal é liberdade. Muitos bangers usam essa frase para justificar que se Metal é liberdade, eles tem liberdade para apoiar um político como Jair Messias Bolsonaro. Isso é tão incorreto quanto confundir Estrela de Davi com Pentagrama.

Liberdade é você ser quem você é sem ser oprimido ou oprimir a outrem. Ser preconceituoso contra negros, mulheres, gays e outras minorais não é exercer sua liberdade, é praticar crime. Bolsonaro é um político que defende valores conservadores à nível social e neoliberalismo a nível econômico. Isso significa alta intervenção do Estado nas questões sociais proibindo casamento das pessoas de mesmo sexo, impondo uma religião oficial e que o mercado decida as questões econômicas como salários, horas trabalhadas, se os trabalhadores devem ter férias e décimo-terceiro salário etc. Não é preciso ser gênio para saber que para você quer ter dinheiro para comprar zines, revistas, discos, instrumentos, ir a shows e tudo que faz parte de ser headbanger você depende de dinheiro que vem de uma atividade remunerada e, logo, se você tiver menos acesso a renda, terá menos acesso para o universo banger. Ai já derrubamos o mentira que metal e política não se misturam e que políticos são todos iguais. Pois, Bolsonaro, descaradamente, é tão a favor do mercado (leia dos diretores de bancos e grandes empresas) em detrimentos dos trabalhadores, que para ele mulher deve ganhar menos que o homem pelo fato de engravidar! Quanto mais liberal uma economia for, mais escravo será seu povo.


Imagem do VIOLATOR baseada no protesto do MUNICIPAL WASTE contra Donald Trump.

Além da questão financeira, o que faz os headbangers abominarem Bolsonaro é o retrocesso que ele representa a nível social. O metal surge dos operários ingleses que eram mal vistos pelos patrões, pela igreja e pela sociedade patriarcal por serem cabeludos, tatuados e usarem roupas diferentes e ousadas. Bolsonaro representa justamente esse pensamento retrógrado, ultrapassado, conservador, que homem não deve ter barba e / ou cabelos grandes, que deve acreditar em deus católico, não frequentar shows ou profanar o corpo de cristo se tatuando ou furando piercings, casar cedo e constituir uma família com uma mulher. Mulher essa que deve casar virgem, só usar roupas que escondam o corpo, sua renda ser complementar a do marido e sua função será criar os filhos na religião cristã. Isso significa que a mulher não pode ser independente, usar roupas provocantes de couro, pintar o cabelo de cores diferentes, as unhas de vermelho, usar maquiagem provocante e tatuagens sexys.

O discurso dos headbangers não é eleger um candidato que "represente o metal", mas barrar esses discursos conservadores e antagônicos ao som underground. Um dos principais discursos que tornam Bolsonaro mais distante do Metal quanto um pentagrama não é estrela de Davi é esse político carioca apoiar ditadura militar. Na época dessa regime execrável no Brasil era proibido ficar após certa hora na rua, era proibido andar em galera. Os shows internacionais, os poucos que existiram (pois quase ninguém tinha grana para ir por causa das politicas neoliberais dos milicos), tinham de passar por censura federal prévia. Discos como o "Headthrashers" tiveram a execução radiofônica proibida e muitos outros como o primeiro do STRESS tiveram suas letras alteradas para poder ser lançado. Esse cenário combina com o Metal?


Desenho de Yuri Opressor divulgado pela banda carioca VINGADOR.

O Metal é um movimento artístico que teve influência de nomes do Hard Rock como BLACK SABBATH, WARPIG, BLUE ÖYSTER CULT e outros da virada dos anos sessenta para setenta que usavam de temas místicos, pagãos e de feitiçaria como fonte de inspiração. Tal temática não combina com o pensamento de quem acha que o Estado deva ter uma religião oficial de origem judaico cristã. O instrumental, timbre e indumentária do Metal também vem do começo dos anos 1970, mas especificativamente do Glam Rock inglês, em que muitos músicos eram LGBT; movimento esse que Bolsonaro antagoniza. Você sabia que as o visual de couro e rebite foi inventado nos clubes gays ingleses? Do fim dos anos 1970 e do Punk Rock vieram o Hard Core, o Grind Core e o Thrash Metal, que é carregado de ideais punks contra o sistema teocrático e patriarcal representando pelo deputado carioca. O metal extremo ao renegar religião católica também entra em conflito com os ideais de Bolsonaro que são todos justificados pela fé cristã. Se engana quem pensa que Metal é rebeldia sem causa ou foco: o rock pesado é contra os valores do statos quo que não aceitam ousadia ou rebeldia contra os valores supostamente ptérios estabelecidos. 

"Meu sonho é o Bolsonaro numa entrevista dizer o que ele acha de homens cabeludos e tatuados vestindo couro".
Willba Dissidente, do Rock Dissidente.


Logo, o que sobra de Bolsonaro que combine com o Metal? O metal não é o som dos opressores, mas sim dos oprimidos, e sofreria tanto quanto eles num governo opressor ainda que você não seja mulher, negro ou LGBT. Nós dos metal undeground somos poucos. Não aparecemos nas estatísticas oficiais do governo, mas seremos afetados, como já fomos, pelas questões sociais de nossa época, pois como todo movimento artístico, o Metal não pode fugir da realidade concreta que o rodeia.



Udo dirkschneider do ACCEPT durante a época do disco "Restless and Wild".

Há quem acredite que por ser militar, Bolsonaro teria a ver com o Metal, já que ANTHRAX, WHITESNAKE, SODOM etc difundiram o visual camuflado no Rock pesado. Ledo engano, meus leitores. Essas bandas, e outras citadas, começaram a fazer uso de coturnos, cintos de bala e outros acessórios normalmente associados ao militarismo não por apoiar ditadura militar ou uma crescente militarização da sociedade; justamente o contrário! Existem muitas músicas com alusão a tropas, soldados e exército, à guisa de exemplo "Heavy Metal Soldiers" do IRON ANGEL, formando um destacamento de headbangers, guerreiros do metal, mas sejamos lúcidos: nunca a disciplina militar aceitaria a subversão maliciosa do Metal. Para completar, o metal herda esse visual do Punk Rock, então o que essas bandas e fãs queriam ao usar cinto de bala e roupas camufladas não era exaltar a guerra, mas criticar a militarização da sociedade.

Uma outra concepção insustentável acerca do Mi(n)to é que muitos bangers se associam a ele pelo Metal ter uma noção, de força, de ser radical, as canções expressarem ódio... e quem destila mais ódio que Bolsonaro? Porém, lembrem que todo esse ódio de Bolsonaro acaba, indiretamente, pois acreditamos que ele nem saiba o que é underground, indo contra os headbangers. O metal é subversão contra os valores judaico cristãos que sustentam a opressão das empresas e do Estado sobre o individuo. Negar isso é afirmar que os patrões achavam lindo operários cabeludos ouvindo música  "barulhenta" sobre o capeta. Bolsonaro representa justamente a supremacia econômica das patrões apoiado no conservadorismo judaico-cristão contra a sociedade. Por esse retrocesso terrível que todo headbanger que não caiu de para-quedas no Metal o rejeita.

O Metal é político, não precisa ser partidário, mas deve rejeitar todo partido ou representante desses que pregue o conservadorismo. O Metal não é necessariamente de esquerda, mas nunca pode ser conservador, afinal, que conservador aceitaria as cruzes invertidas, mitologia pagã e essência libertária? Acreditar no contrário é o mesmo que confundir Estrela de Davi com Pentagrama.

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terça-feira, maio 29, 2018

AMOR AO METAL: true até no nome!

Em sua quadragésima quarta edição dentro do Programa Combate o Canal Rock Dissidente falou do amor ao Metal, representando em músicas que tem Metal até no nome. Além disso, o periódico tratou também do surgimento do termo Heavy Metal associado a um gênero musical e demonstrou como o ápice de músicas exaltando o Metal foi nos anos oitenta, quase sumindo na década de 1990 e voltou com força (e peso) total na New Wave of Traditional Heavy Metal no novo milênio.

Confira o áudio dessa edição do Rock Dissidente sem precisar sair do Tinder e outros sites de paquera, risos!



Esse tema foi sugerido pelo amigo ouvinte Josué Osmar, de Fortaleza, Ceará, que curte o Rock Dissidente com seu filho Ramon Sampaio de 13 anos. VOCÊ também está convidado a sugerir um tema para o Rock Dissidente!

Programa Combate no ar desde 2001 pela rádio Melodia FM, 102,3 transmitindo desde Varginha para mais de cinquenta municípios. O Programa Combate passa todo domingo, das 16 às 18 horas.


No decorrer da trigésima sexta edição rolamos músicas de ANVIL, DORSAL ATLÂNTICA, IRON ANGEL, ANTHRAX  e STRIKE MASTER!

Assista a gravação em vídeo!



Gravado em 27/05/2018, em meio a greve dos caminhoneiros, sendo disponibilizado no mesmo dia nas redes sociais.

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Rock Dissidente
 no Programa Combate

Apresentação, edição de vídeo e filmagem: Willba Dissidente. 
Técnicos de Som: Adilson Mesquita e Gil Vicente.
Produção técnica: Ivanei Salgado.
Produção executiva: André "Detonator" Biscaro. 

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quarta-feira, maio 23, 2018

KIKO SHRED: levando a guitarra virtuosa um passo a frente no Brasil!

Resenha: The Stride - Kiko Shred.
Nota: 9,0.

Kiko Shred conheceu o mundo tocando guitarra e com seu novo disco solo, "The Stride", o mundo todo irá conhecê-lo. Vegetariano, o virtuose de Americana, interior de São Paulo, passou mais da metade dos seus 30 e poucos anos se dedicando ao estudo e a performance do instrumento de seis cordas, tendo ganho notoriedade primeiramente por integrar o grupo campineiro SLIPPERY. Kiko gravou ambos os registros do quinteto de Hard 'n' Heavy, "Follow your Dreams" e "First Blow". Com a pausa das atividades do mesmo (que persiste) Kiko passou a integrar em caráter permanente as bandas de apoio dos vocalistas Tim "Reaper" Owens (ex- JUDAS PRIEST, ICEAD EARTH) e Mike Vescera (ex- OBSSESSION, LOUDNESS, YNGWIE MALMSTEEN e DR. SIN) com os quais viajou o mundo divulgando seu shred guitar. Entre as tours, o intrépido e persistente musicista lançou seu primeiro disco solo, passou a lecionar guitarra e fazer parte do HELLWAY PATROL e da banda do soberbo Mario Pastore (ACID STORM, TAILGUNNERS) e se tornou "músico de aluguel" fazendo diversos covers pelas noites do Brasil. Tudo isso para chegar a "The Stride", o passo, que mostra a evolução de toda essa caminhada musical.





Acompanhar a carreira de Kiko é ter a certeza de quanto o estudo e a prática te fazem melhor em tudo; e na guitarra não é diferente. Desde o primeiro EP do SLIPPERY às composições no full-lenght da banda, passando pelos discos solo, se nota o quão mais apurado e cheio de técnica foi ficando o modo do guitarrista tocar e compor. O avanço no método passa longe de ser uma metodologia ou mecanismo com fim em sí mesmos, já que mais que demonstrar perícia e competência nos estudos, Kiko esbanja aptidão e talento para compor riffs e melodias marcantes em meio a escalas e notas super-rápidas que seus dedos alcançam e esbanjam ao ouvinte.




Dignos de nota também são os músicos que, perdão do trocadilho, andam com Kiko em The Stride. Lucas Tagliari arrasa nos dumbos duplos, andamentos carregados e viradas quem encham o som. Ele é parceiro do guitar man desde os tempos de SLIPPERY (tendo aderido na tour de First Blow) estando junto com ele em todos os projetos citados na introdução. O vocalista Sérgio Faga é do tributo ao IRON MAIDEN chamado Children of The Beast e canta num tom alto e timbre próprio que nada lembram (ou devem) a Bruce Dickinson. O convidado Carlos Tomati, da banda de Jô Soares, é dos mais exímios e versáteis guitarristas do Brasil e só a curiosidade de sua incursão pelo Heavy Metal já vale o cd. Dos baixistas falaremos mais abaixo, pois como invitado na última faixa com voz temos o veterano estadunidense Mike Vescera cujas linhas vocais embalaram várias músicas de guitarristas notórios como Edu Ardanuy, Malmsteen, Akira Takasaki e outros dos melhores do mundo (além de serem influência para Kiko).





Já escrevemos a currículo de Kiko e das pessoas que labutaram em "The Stride", mas o que o disco tem a oferecer aos headbangers? Diferente de alguns guitarristas que fazem música para outros musicistas, "The Stride" é um disco de metal feito para quem curte Heavy Metal. Acertadamente o paly varia entre uma faixa com voz (com o baixista André Rudge) e uma instrumental (nas quais as quatro cordas ficaram sob a tutela de Will Costa). Tal elencamento de temas não o torna a audição massante e valoriza as parede sonora de ritmos, texturas e momentos compostos pelo guitarrista. Para quem ainda não sabe o shredding guitar é uma técnica que adapta o modo de tocar do violinista Paganini ao rock dando enfase aos tapping, hammer on e pull off e muita velocidade virtuosa em detrimento à experimentação. Tal inovação feita por nomes como Uli Jon Roth (SCORPIONS) e Ritchie Blackmore (RAINBOW, DEEP PURPLE) viria a influenciar nomes como Steve vai, Walter Giardino (RATA BLANCA, TEMPLE), o chamado Heavy Metal Neoclássico, e é o ponto principal da música de Kiko, que leva o Shred de sobrenome. Vale lembrar que diferente do SYMPHONY X ou do RHAPSODY, o virtuosismo de Kiko é mais focado no tripé baixo - bateria e guitarra com um teclado de fundo; sendo assim fãs de outros instrumentos também solistas (como teclado, violino etc) podem vir a estranhar "a simplicidade" no som.






A abertura com "The Templar Knight" lembra o power metal de STRATOVARIUS , só que com riffs mais hardeiros e vocais mais puxados para o melódico. O mesmo podemos dizer de "Deah Match", uma das mais pesados do play, em que os solos mais curtos lembram o feeling de Gary Moore (THIN LIZZY) e Michael Schenker (UFO, MSG). A faixa título "The Stride" com seus solos dobrados só nos faz pensar que se Kiko tivesse surgido nos anos oitenta desbancaria todos os guitarristas brasileiros da época (talvez à exceção de ROBERTINHO DE RECIFE) e está em nível de paridade com os maiores talentos nacionais e internacionais. "L.V.X." ("luz" em latim) é a faixa instrumental que mais chama atenção no disco: começa lenta, dedilhada, entra uma distorção até acelerar a um heavy com nuances de Thrash Metal e depois vai perdendo peso e agressividade até encerrar como começou. "Chorozon Club"é mais hardeira setentista, e ao mostrar tarimba de Kiko ao compor nesse estilo dá espaço para os demais músicos; inclusive essa faixa tem a linha de baixo mais legal do trampo. "Reach for the Sky" poderia ser um som do SLIPPERY e é uma semi-balada Hard 'n' Heavy que é destaque absoluto do disco. Uma pena que a letra dela no encarte esteja escrita fora de ordem. "True Emotions" é blues acelerado que passa ao Hard Metal e tem o melhor refrão. É uma pena que um trabalho tão impecável de produção sonora e visualmente tão bonito com o encarte todo em vermelho, com fogo e piramide tenha vindo faltando uma parte da letra desse tema. A participação de Michael Vescera no tema "Straight Ahead" é num Hard Metal arrasta quarteirão com letras de auto-ajuda (como muitas do SLIPPERY) em que o riff do começo é o mesmo do refrão. Esse número tem também as melhores baterias da bolachinha, notadamente pelo uso certeiro dos pedais duplos feitos por Lucas Tagliari. "Time to Relax" é como se fosse uma música lenta, algo como " música de elevador versão Steve Vai", mas nem por isso menos interessante. De fato, esse é um dos poucos discos instrumentais de guitarrista que não se torna entediante e todas as composições são válidas de se ouvir. Encerrando, "Too Much", trocadilho com tomate poderia se chamar "Too Many Solos", e são muitos mesmo, com leads e bases de se arrepiar, inclusive há um lead repetitivo muito legal que evidencia muita velocidade e técnica, com partes limpas constatando com bumbos dobrados.





Finalizando, "The Stride", mostra evidente avanço técnico e de composições de Kiko Shred em comparação aos seus trabalhos anteriores, além de conseguir cativar o ouvinte que não é necessariamente guitarrista ou musicista. Virtualmente perfeito, esse é um disco que mostra um passo a frente na caminhada de Shred para se consolidar como um dos maiores nomes da guitarra brasileira acelerada ao Metal. Esperemos pelos próximos strides dessa marcha!

Kiko Shred já se encontra gravando seu terceiro disco solo que terá Mario Pastore como vocalista em todas as faixas e será produzido pelos irmãos Busic do DR.SIN.

Quem se interessar pode adquirir "The Stride" direto com músico pela sua página oficial no facebook, ou pelas lojas DIE HARD (Galeria do Rock SP) e HEAVY METAL ROCK (Americana / SP).

Indicado para os fãs de Michael Harris (ZANISTER), Joey Tafolla (disco "Out of the Sun"), Timo Tolki, Yngwie Malmsteen, Jason Becker, James Byrd e os outros guitarristas citados.


KIKO SHRED:

Kiko Shred: guitarras, teclados e backing vocals.
Sérgio Faga: vocal principal.
Lucas Tagliari: bateria.
*
André Rudge: baixo nas músicas com vocal.
Will Costa: baixo nas faixas instrumentais.
*
Mike Vescera - vocalista convidado na faixa "Straight Ahead".
Carlos Tomati (banda do Jô Soares) - guitarrista convidado na faixa "Too Much".


Discografia:

Riding the Storm (Cd, Full-Lenght, 2015)
The Stride (Cd, Full Lenght, 2017)

The Stride - Nacional - Independente -  46:18

01 . The Templar Knight (05:22)
02 . The Stride (04:44)*
03 . Reach For the Sky (04:16)
04 . L.V.X. (05:39)*
05 . Death Match (04:13)
06 . Chorozon Club (03:52)*
07 . True Emotions (05:15)
08 . Time To Relax (03:58)*
09 . Straight Ahead (05:16)
10 . Too Much (03:43)*

(*) Faixas Instrumentais.

KIKO SHRED tem patrocínio de Tesla pickups Brasil, SOLEZ Strings,Tuning Guitar parts, Fuhrmann, Tecniforte Cables ,Hiwatt UK , Hinke Guitars.

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terça-feira, maio 22, 2018

Miau no Metal: os gatos na cultura humana.

Como foi que os gatos começaram a viver junto com os humanos? Quem são os gatos mais famosos da cultura popular? Como os os felinos foram vistos por várias religiões ao redor do mundo? Por que os católicos perseguiam gatos na idade média? E, como não podia deixar de ser, esses adoráveis seres peludos de quatro patas influenciando o Hard Rock, o Heavy e o Thrash Metal! Acompanhe na 36° edição do Rock Dissidente no Programa Combate, o MIAU NO METAL!

Escute o áudio completo pelo MixCloud, incluindo as músicas, sem precisar fechar os outros aplicativos!



Programa Combate no ar desde 2001 pela rádio Melodia FM, 102,3 transmitindo desde Varginha para mais de cinquenta municípios. O Programa Combate passa todo domingo, das 16 às 18 horas.

No decorrer da trigésima sexta edição rolamos músicas de LEVIAETHAN, QUEEN, AXEL RUDI PELL, WHITESNAKE e SCORPIONS.

Assista ao vídeo pelo Youtube!



Gravado em 18/03/2018, sendo exibido em 20/05 do disponibilizado nas redes sociais no dia seguinte.

*

Rock Dissidente
 no Programa Combate

Apresentação, edição de vídeo e filmagem: Willba Dissidente. 
Técnico de Som: Adilson Mesquita.
Produção técnica: Ivanei Salgado.
Produção executiva: André "Detonator" Biscaro. 

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quarta-feira, maio 09, 2018

Tressultor: Ateísmo, canibalismo e moshs violentos na sua segunda demo.


RESENHA - Cartel de Juarez - Tressultor.
NOTA: 8,0.

Em São Bento do Sul, Santa Catarina, o quarteto TRESSULTOR, está fazendo algo novo ao aliar o Thrash Metal groove dos anos noventa com vocais cantados em português, como era na época dos primórdios do estilo no Brasil. Acompanhe "Cartel de Juarez", segunda demo dos meninos e tenha cuidado: a próxima empadinha que você comer pode vir recheada de carne humana!




Quando o Thrash Metal começou no Brasil, os grupos baluartes do estilo, DORSAL ATLÂNTICA, KORZUS, LEVIAETHAN, TAURUS, ANTHARES, OVERDOSE até o RATOS DE PORÃO cantavam em português. Com a advento do fenômeno SEPULTURA (que já começou cantando em inglês), em especial nos noventa, todas essas bandas citadas estavam cantando em inglês. Muitas deles pegaram influência de EXORTATION e PANTERA e pisaram fundo no acelerador dos anos 1990 deixando os andamentos mais rápidos e "paradinhas matadoras" de lado para se tornarem grupos de Groove Thrash; também conhecido como "Pula-Pula". Nessa época não tinham bandas fazendo groove cantando em português, todas estavam no inglês. Não que o TRESSULTOR, tenha parado no tempo, já que no seu som se notam influências de grupos de Metalcore como HATEBREED, PROJECT 46 e outros.



O pessoal que só curte o Thrash Metal das basqueteiras pode estranhar esse som mais calcado nas bases sobre bases, com menos solos, ainda que existam aqui ou acolá, assim como o pessoal mais fã de PANTERA, pode desconfiar dos vocais em português; mas quem curte pancadaria, mosh-pitt, palavrões e temas sangrentos se divertirá nos 14 minutos de duração dessa demo. A abertura em dedilhado de "Ateu" dá um clima, o som fica na base mais cadenciada e de repente desce a laje do pré-refrão em diante.  A faixa título é a que tem a letra mais repetitiva e é seguida de "Direção ofensiva" em que há um flete com o Death Metal. O destaque do disco é "Deliciosas empadas da Dona Isabel".



Esse tema tem o melhor refrão, um solo bem legal, além do andamento ser mais calcado nos clássicos do Thrash e menos moderno. Todavia, o ponto alto do destaque do disco é a letra da canção. Ainda que o título possa parecer cômico a música descreve com exatidão de detalhes bizarros e sangrentos o violentíssimo episódio de canibalismo e serais killers ocorridos recentemente na nordeste brasileiro.

Quem se interessar e quiser saber mais sobre o caso:

https://www.vice.com/pt_br/article/gy8mvx/o-jogos-mortais-brasileiro-canibais-de-garanhuns

O fanatismo religioso de origem judaico-católico gerou no sertão do nosso Brasil uma série de crimes mais impetuosos que qualquer filme B, explotation, australiano como "Jogos Mortais". Não é à toa que o cd-demo comece defendendo o ateísmo e acabe no caso da seita conhecida como "O Cartel". E inclusive a personagem Juarez da faixa-título está também no número "Direção Ofensiva", dando a segunda demo do TRESSULTOR um aspecto de disco conceitual.

"Cartel de Juarez" pode ser comprado diretamente com os meninos da banda por R$10,00 pelos links relacionados (ao final da resenha). O cd vem em mídia cd-r sem impressão em caixa acrílica com encarte contendo as letras. Por se tratar de uma demo é perdoável ter sido usado o mesmo desenho na traseira e contra-capa. A gravação de "Cartel de Juarez" é ao vivo no estúdio e tendo em vista esse gênero de registro de som é bem legal para se curtir.

O TRESSULTOR já está na sua segunda demo, ainda que agora - no geral - as músicas estejam mais curtas; mas quem curtiu a primeira também irá apreciar essa. É esperar que eles mantenham o nível nos próximos lançamentos.

TRESSULTOR:
Hans Kechele -  Vocal e baixo.
Acelmo Kurowsky - Guitarra.
Renahn Grosch - Guitarra.
Lucas Cruz - Bateria.

Discografia:
Epidemia (Cd-Demo, 2014).
Cartel de Juarez (Cd-Demo, 2017).

Cartel de Juarez - nacional - indie -  13:45

01 . O Ateu (04:33)
02 . Cartel de Juarez  (03:08)
03 . Direção Ofensiva  (02:46)
04 . Deliciosas Empadinhas de Dona Isabel (03:17)

NOTA DO AUTOR: Willba Dissidente é vegetariano, mas caso não fosse se tornaria agora após descobrir pela demo do TRESSULTOR esse grotesco episódio ocorrido no interior do Pernambuco.